Thursday, September 07, 2006

velocidade de casa


Sempre me perguntei como havia um tipo de pessoa que me parecia meio impermeável às faltas do mundo. Depois de um tempo de crescidinha, comecei a responder para mim mesma que eram pessoas que tinham muita casa em suas vidas.

Tempo em casa, tempo na cama, tempo sem fazer nada. Afinal, casa é o lugar que se tem, a princípio, para ficar mongol. Mongol sem glamour, sem onda de adolescente metido a hippie maconheiro, porra nenhuma: mongol ordinário, quentinho, no sofá.

Pois bem: sempre tive uma grande inveja desse tipo de pessoa e desse tipo de casa. Não que eu nunca o tenha vivido - acredito que bastante, na infância. Mas, como disse, depois desse momento de "grandinha", confesso que me arrebatei pelas ruas do mundo. Foi paixão à primeira vista. E casa começa a virar esse lugar do ordinário chato, "essas pessoas da sala de jantar", e é sempre mais interessante desbravar o mundo lá fora.Claro, porque difícil é desbravar o mundo aqui dentro (de mim, não da casa). E digo mais: dizia a mim mesma, em pensamento, que egoístas eram essas pessoas, por dedicarem tanto tempo a si próprias, ora vejam só.

Pois é. Ao mesmo tempo, sempre gostei de "casa". Talvez só por isso tenha me metido numa faculdade de arquitetura (tolinha...). Gosto de "casa"no sentido quase platônico, da idéia de casa, justamente de cultivar a casa, tapetinhos, cortinas, paredes coloridas e essas coisas. Me traz uma sensação de "gente grande".

1 Comments:

At 2:36 AM, Anonymous Anonymous said...

Ana querida,
vim prestar minha homenagem. Acho que pode ser bacana essa historia de blog... cai dentro
E por falar em casa: a palavra do ano que tem ocupado todos os meus pensamentos....
sair de casa, encontrar uma casa, se sentir em casa, mudar de casa, saudades de casa, o que é a casa, nao tenho casa, e por ai vai.
carinho e saudades
silvia

 

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