Friday, January 16, 2009

Beirut IV

É que entre o cú e a buceta
Algo de especial me há
que quando a bunda levanta em perna ao ar
e pé mais alto que a cabeça
venta lá

Malabarista
bailarina
marionete
palhaça 
colombina
mulher-de-bigode
mágico, leão,
coelho-na-cartola

espalhados em silêncio
em vento
no chão 

Bierut III


V i p á s s a n a

Cachorro espreguiçando ao sol

Ave leve em equilíbrio e vôo

eminente
permanente
imanente

ex-mente, agora eterna

só enquanto corpo, pele e vento
acho que só se a sanfona tocar
vento do corpo virar corneta
ponta do pé em pirueta
fuder com o ar
foda-se a mente
se algo épico acontecer
entre o peito e as pontas dos dedos

e VOZ, VOZ, VÓS

vivo de novo
no abismo de um ritmo descompassado.

Cinema


Será que sempre 
O vento pulsa em ressonância
com o balanço dessa folha
do ônibus que para
alguém que grita
esqueci, respiro
o telefone toca
(essa merda toda)
Coitado do vento, não tem culpa
e cabeça da gente fica vendo sincronismos
enquanto a música acontece

Beirut II


Cada lágrima como um passinho da bailarina

A saia de filó evolui pouco a pouco, rodopios
em linha reta.
Roda, para e roda.

Uma lágrima de cada vez
transbordam solitárias do mesmo cantinho
escorrem pelo mesmo caminho

Pá-Pá-Pá
Tum-Tum-Tum

E pingam no mesmo ponto

Como se depois
da morte
do abismo

da queda


pudessem fazer juntas, um mar

Beirut 

Página em branco.
Corpo vermelho. 
Algo de novo em movimento
nesse som de corneta adormecida 
com acordeon

Não me acorda, agora não,
que a lágrima quente tá quase caindo,
a buceta se afrouxando

E o vento então é vento
Minha pele vermelha e lisa me conforta,
se escurece
E o vento até chega a ser frio
e liso

Podia voar, ou me contrair até gozar
Não é que o vazio faça sentido;
é a própria falta que se transforma em presença,
poesia.

Deus me livre do vazio
mas essa falta deliciosa
me aponta pro que não sei

Como essa corneta alegre e triste,
drama

Pirueta