Sunday, September 10, 2006

Acordo.
(Há coisas que só o sono e o travesseiro fazem pela gente)
Enquanto volto a mim, constato: Não tem jeito: a gente não sabe o que que a gente é. (e quanta consolação vem dessa afirmação!)

Ninguém sabe o que é!
Podes me dizer: Sou belo, Sou chato, Sou peito, Sou pé
(Nenhum desses, nem eu: A gente não sabe o que a gente É)

E quanto problema surge do esforço de disfarçar para nós mesmos esta curiosa sentença.
Quando tentamos resolver a incógnita da existência humana dentro de nossa unidade de "Ser"
Ao querer que tudo faça sentido, que nos compreendamos em nossos desejos ou pensamentos.

Só nos é possível aceitar que a maior parte do que a gente é, a gente não entende (embora possamos, sim, Sê-lo, cada vez mais e com mais integridade.)

A razão é uma invenção metida a besta, que acha que pode ser o viés de criação de todas as outras (invenções).

Thursday, September 07, 2006

velocidade de casa


Sempre me perguntei como havia um tipo de pessoa que me parecia meio impermeável às faltas do mundo. Depois de um tempo de crescidinha, comecei a responder para mim mesma que eram pessoas que tinham muita casa em suas vidas.

Tempo em casa, tempo na cama, tempo sem fazer nada. Afinal, casa é o lugar que se tem, a princípio, para ficar mongol. Mongol sem glamour, sem onda de adolescente metido a hippie maconheiro, porra nenhuma: mongol ordinário, quentinho, no sofá.

Pois bem: sempre tive uma grande inveja desse tipo de pessoa e desse tipo de casa. Não que eu nunca o tenha vivido - acredito que bastante, na infância. Mas, como disse, depois desse momento de "grandinha", confesso que me arrebatei pelas ruas do mundo. Foi paixão à primeira vista. E casa começa a virar esse lugar do ordinário chato, "essas pessoas da sala de jantar", e é sempre mais interessante desbravar o mundo lá fora.Claro, porque difícil é desbravar o mundo aqui dentro (de mim, não da casa). E digo mais: dizia a mim mesma, em pensamento, que egoístas eram essas pessoas, por dedicarem tanto tempo a si próprias, ora vejam só.

Pois é. Ao mesmo tempo, sempre gostei de "casa". Talvez só por isso tenha me metido numa faculdade de arquitetura (tolinha...). Gosto de "casa"no sentido quase platônico, da idéia de casa, justamente de cultivar a casa, tapetinhos, cortinas, paredes coloridas e essas coisas. Me traz uma sensação de "gente grande".




Le début











Nova nesse negócio de blog, deixo aqui logo meus créditos / agradecimentos a la "eslava de sol", que pelo visto 'quer ver de novo a sua luz', e que me deixou muito contente de visitar algumas de suas frestinhas.


E devo dizer porque 'à vista' ?
À vista está tudo aquilo que não podemos ainda propriamente tatear, mas que está sim, à nossa frente, em instantes de imaginação de terra firme.
A crase remete a um sujeito/objeto externo à expressão, que necessariamente não é o mesmo sujeito da ação (aquele que vê).
Interessante este pré-requisito da existência de dois - um para ver e outro para ser visto - de forma a trocarem segundos e feixes de luz.