Monday, February 02, 2009

Aqui, só eu

Não há você
Nem aquilo que meu pensamento toca
Alisa
Em falso, anuncia

Só assim encontro meu sonho e arranco-lhe as penas

E se alguma delas tocar minha pele,
em vôo coincidente
e escorregadio

Talvez eu encontre outra,
mais uma,
e mais além

Eu mesma como pena branca depenada
me pegue plainando
me voe cantando
me ria de quando

Friday, January 16, 2009

Beirut IV

É que entre o cú e a buceta
Algo de especial me há
que quando a bunda levanta em perna ao ar
e pé mais alto que a cabeça
venta lá

Malabarista
bailarina
marionete
palhaça 
colombina
mulher-de-bigode
mágico, leão,
coelho-na-cartola

espalhados em silêncio
em vento
no chão 

Bierut III


V i p á s s a n a

Cachorro espreguiçando ao sol

Ave leve em equilíbrio e vôo

eminente
permanente
imanente

ex-mente, agora eterna

só enquanto corpo, pele e vento
acho que só se a sanfona tocar
vento do corpo virar corneta
ponta do pé em pirueta
fuder com o ar
foda-se a mente
se algo épico acontecer
entre o peito e as pontas dos dedos

e VOZ, VOZ, VÓS

vivo de novo
no abismo de um ritmo descompassado.

Cinema


Será que sempre 
O vento pulsa em ressonância
com o balanço dessa folha
do ônibus que para
alguém que grita
esqueci, respiro
o telefone toca
(essa merda toda)
Coitado do vento, não tem culpa
e cabeça da gente fica vendo sincronismos
enquanto a música acontece

Beirut II


Cada lágrima como um passinho da bailarina

A saia de filó evolui pouco a pouco, rodopios
em linha reta.
Roda, para e roda.

Uma lágrima de cada vez
transbordam solitárias do mesmo cantinho
escorrem pelo mesmo caminho

Pá-Pá-Pá
Tum-Tum-Tum

E pingam no mesmo ponto

Como se depois
da morte
do abismo

da queda


pudessem fazer juntas, um mar

Beirut 

Página em branco.
Corpo vermelho. 
Algo de novo em movimento
nesse som de corneta adormecida 
com acordeon

Não me acorda, agora não,
que a lágrima quente tá quase caindo,
a buceta se afrouxando

E o vento então é vento
Minha pele vermelha e lisa me conforta,
se escurece
E o vento até chega a ser frio
e liso

Podia voar, ou me contrair até gozar
Não é que o vazio faça sentido;
é a própria falta que se transforma em presença,
poesia.

Deus me livre do vazio
mas essa falta deliciosa
me aponta pro que não sei

Como essa corneta alegre e triste,
drama

Pirueta

Monday, October 30, 2006

você
que sem querer, me ensinou o que é amar
você
que mesmo longe, parece ser presença certa
e que quando presente, é sempre saudade
você
que foi o primeiro com quem não tive dúvidas
(e, sem dúvida, fiquei feliz)
você
não passa do primeiro de muitos amores
nosso não me faz crer
em outras possibilidades de sim
maiores, melhores e mais fortes
do que você.

Monday, October 16, 2006

tive que reinventar o amor.

Monday, October 02, 2006

aproveito o engarrafamento para chorar.

Sunday, September 10, 2006

Acordo.
(Há coisas que só o sono e o travesseiro fazem pela gente)
Enquanto volto a mim, constato: Não tem jeito: a gente não sabe o que que a gente é. (e quanta consolação vem dessa afirmação!)

Ninguém sabe o que é!
Podes me dizer: Sou belo, Sou chato, Sou peito, Sou pé
(Nenhum desses, nem eu: A gente não sabe o que a gente É)

E quanto problema surge do esforço de disfarçar para nós mesmos esta curiosa sentença.
Quando tentamos resolver a incógnita da existência humana dentro de nossa unidade de "Ser"
Ao querer que tudo faça sentido, que nos compreendamos em nossos desejos ou pensamentos.

Só nos é possível aceitar que a maior parte do que a gente é, a gente não entende (embora possamos, sim, Sê-lo, cada vez mais e com mais integridade.)

A razão é uma invenção metida a besta, que acha que pode ser o viés de criação de todas as outras (invenções).

Thursday, September 07, 2006

velocidade de casa


Sempre me perguntei como havia um tipo de pessoa que me parecia meio impermeável às faltas do mundo. Depois de um tempo de crescidinha, comecei a responder para mim mesma que eram pessoas que tinham muita casa em suas vidas.

Tempo em casa, tempo na cama, tempo sem fazer nada. Afinal, casa é o lugar que se tem, a princípio, para ficar mongol. Mongol sem glamour, sem onda de adolescente metido a hippie maconheiro, porra nenhuma: mongol ordinário, quentinho, no sofá.

Pois bem: sempre tive uma grande inveja desse tipo de pessoa e desse tipo de casa. Não que eu nunca o tenha vivido - acredito que bastante, na infância. Mas, como disse, depois desse momento de "grandinha", confesso que me arrebatei pelas ruas do mundo. Foi paixão à primeira vista. E casa começa a virar esse lugar do ordinário chato, "essas pessoas da sala de jantar", e é sempre mais interessante desbravar o mundo lá fora.Claro, porque difícil é desbravar o mundo aqui dentro (de mim, não da casa). E digo mais: dizia a mim mesma, em pensamento, que egoístas eram essas pessoas, por dedicarem tanto tempo a si próprias, ora vejam só.

Pois é. Ao mesmo tempo, sempre gostei de "casa". Talvez só por isso tenha me metido numa faculdade de arquitetura (tolinha...). Gosto de "casa"no sentido quase platônico, da idéia de casa, justamente de cultivar a casa, tapetinhos, cortinas, paredes coloridas e essas coisas. Me traz uma sensação de "gente grande".




Le début











Nova nesse negócio de blog, deixo aqui logo meus créditos / agradecimentos a la "eslava de sol", que pelo visto 'quer ver de novo a sua luz', e que me deixou muito contente de visitar algumas de suas frestinhas.


E devo dizer porque 'à vista' ?
À vista está tudo aquilo que não podemos ainda propriamente tatear, mas que está sim, à nossa frente, em instantes de imaginação de terra firme.
A crase remete a um sujeito/objeto externo à expressão, que necessariamente não é o mesmo sujeito da ação (aquele que vê).
Interessante este pré-requisito da existência de dois - um para ver e outro para ser visto - de forma a trocarem segundos e feixes de luz.